Quantas coisas pensei sublimes,
merecedoras de longas lágrimas!
Quais eram?
As lágrimas recordo,
e as pensativas planícies
por onde estenderam seus longos rios.
Mas não levam nenhuma voz, essas águas.
Tudo foi afogado e sepulto.
Maiores que as coisas choradas
eram as lágrimas que as choravam.
E sua imagem, de longe, é uma solidão sem mais nenhum sentido:
mapa falso que a nossa viagem abandona,
pois vamos sempre além de tudo, para mais longe...
--Cecília Meireles--